Como não sentir o amor?
e o alvo ainda é você.
Culpa tua sim, por ser tão assim, mais culpar a mim, é mais fácil enfim, se jogar ao chão e ao sentir o chão, se encontrar perdido, sem abrigo, sem um cais...
Fortes temporais, em alguém que faz ser feliz demais, ir longe demais, sem saber voltar.
Ah você, que não sabe quem, que com ferro feri, assim, será ferido, e sem abrigo, se jogar aos pés de um novo alguém, pois nem sabe em quem se transformou...
Culpa tua sim, por ser tão assim, mais culpar a mim, é mais fácil enfim, se jogar ao chão e ao sentir o chão, se encontrar perdido, sem abrigo, sem um cais...
Vi de longe romances, e em meu corpo a solidão, fincada, como quem já conhece, participa e por inteiro se faz, já não mede esforços nem pra dar, nem pra ter, dizem que por amor, dizem que por...
Vi de longe a clareira, e a fumaça, a avisar, ali tem alguém, como quem já não sei, iluminando o céu, destoando à noite, clareira, faz de si o argumento pra não morrer de sofrimento, por estar tão só.
Quem assim é tão só, como esse que corre, que nada, e que voa, com ajuda do mundo, faz de tudo um pouco, renegado e moribundo é na vida mais um, só mais um...
Amargo, e doce no final
Sinais no tempo indicam que vai chover um céu avermelhado e sem estrelas, pra companhia uma xícara de chá amarga me aquece na noite fria, morangos, meu preferido, não pela cor, mais pelo seu doce olor, que contraditório não, amargo e doce mais saboroso afinal. Então o que antes se previu, se torna real, as gotas de chova começam a tocar o chão, e como bailarinas dessem céu abaixo até se desfazerem explodindo uma a uma sobre a calçada, a rua e os tetos de casas pela região, vento forte nas arvores, folhas também caem ao chão, são duas e trinta acho, digo: “Nem tantas pessoas como eu, podem deleitar-se nesse banquete real proporcionado pela união do Tudo.” Me sinto no mínimo lisonjeado pela oportunidade, me sinto agradecido, formigas rodeiam a lâmpada, ficam rodeando, rodeando, parece meio pragmático, sempre que chove ou vai chover. Formigas com asas se entorpecem junto ao calor da lâmpada, vai saber o que se passa com elas, quem sou eu pra mandar nas regrinhas das formigas. Dizem que nada está suficientemente perfeito, se me perguntarem o que falta, diria que um amor, mas assim como chá, amargo e doce mais saboro afinal.
Notas de rodapé
Eu olho pra ela e penso: “enquanto espero a volta do Salvador seus olhos são o suficiente para aliviar o coração de um homem assim cansado.”
Antônio Paz, tu não és quem pensa que és já não sois o que fosses um dia, as linhas do tempo te consumiram, é evidente nas rugas que habitam teu rosto, Ninguém mais te nota, nem amor sobrou em ti, nem o amor lembra de ti, ah Antonio paz, ela foi pra não voltar, e por não voltar ficaste assim, parado no tempo, esperando com o nascer do sol a volta do antigamente, mas pra quê se enganar, sabes que ela não irá voltar, mais continua a esperando, o dia inteiro, todo dia. Sábado de manhã, Joana, linda Joana, olhos verdes, pele da cor do por do sol, cabelos longos em tranças de rasta, pra mostrar seu ideal, chamou cá fora Antonio Paz e falou sobre partir, disse que cansou de tudo que era essa a hora de ir, pois não dá mais pra estar vivendo só por viver, e o amor que um dia habitou, foi simbora com ilusão no despertar, pois se cansou de esperar por dias melhores que nunca vieram e nunca virão, Joana, foi-se e nunca mais deu por aparecer e desde então, Antonio Paz, vive por viver, tanto faz se é segunda ou sexta-feira, se são seis horas ou sete e meia, que triste Antonio Paz, saiba que mesmo sabendo de tudo que você fez não te desejo isso nunca, não te desejo mal algum, por outro lado, esperava te ver mudar, esperava te ver crescer e com Joana se aprumar, mais pau que nasce torto, morre torto, diz o velho ditado, e contigo também foi assim e mesmo agora que a tristeza te consome, ainda assim, some de si, quando deferi o primeiro golpe em um copo de cachaça, já não sois Antonio Paz, aquele que conheci, nem muito menos o de Joana, por isso foi que eu parti, talvez por isso também Joana.
Sobre mim
Como sempre, em alguém tem que doer, como nos livros e filmes, como historias e contos, alguém sempre vai sofrer. Sinais de fogo foram feitos, você nem de longe os viu, pintei mais de mil outdoors em teu nome, você nem de longe os viu, reescrevi alguns contos, adaptei, deixei pronto, e você nem por alto os leu, nossa historia começa ao mesmo tempo em que termina, não há meio e o fim vem antes do inicio, talvez um diretor melhor para essa trama, um montador melhor para a película e desse filme saísse algo mais, mas hoje bem mais do que colocar cada acorde em seu lugar, eu preciso de mim, preciso me recolocar em primeiro, me dispor a ser mais, mais por mim e por mim, enterrar os amores já mortos, e que o tempo não deixa levar.
Sobre você
Suave, assim como o beijo do vento na flor, assim é tua imagem, como alguém quem sofreu, e sofreu por amor, deu valor a quem mereceu, deu valor, mas não recebeu, sofreu, sofreu sim, mas foi apenas o fim, pra que carregar tantos prantos, se o fim é só o começo, sabe menina, eu sempre quis te dizer, talvez até tenha te dito, que um dia podes ser mais, mas pra ser mais, ó menina, é preciso saber enxergar que é menos, pra ser maior, é preciso mirar pequenez, só assim, tu verás que serás tão imensa, tão imensa assim quanto imenso é por ti meu amor.
Sobre os dois
Na trave, bateu o meu chute a gol, quando eu disse que te amava, não sei, já não sei, você também disse que amava, mas não sei, já não sei, pois que ia embora também me falou, é recíproco e você sabe, eu sei disso, mais se você sabe, então por que ser assim? Tão perto, tão longe, sempre na barreira, entre inicio e o fim, fim e inicio, nunca soubemos mesmo o que foi, sendo assim, mesmo que não se saiba, não sei dizer quem foi cruel, se meus erros ou teus erros, os meus medos, ou teus medos, meus acertos, teus acertos, sempre teus e meus, mas nunca foram nossos.
"Como sempre, em alguém tem que doer, não se sabe se doeu mais em ti ou em mim, mas eu sei que doeu, pois senti, vi milhares de estrelas em um céu tão nublado, foi herói e bandido, foi perigo, e foi salvo, fui assim, paradoxal, contraditório, diferente d’outros carnavais, mais fui pierrot, sem colombina outra vez."